Professora e pedagoga, Fátima Bezerra exerce o segundo mandato de deputada federal com atuação destacada na educação, cultura, desenvolvimento regional, direitos da mulher e cidadania GLBT.
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10 anos do Fórum Social Mundial
O Fórum Social Mundial completa 10 anos. Mais uma vez, Porto Alegre assume o centro da cidadania planetária e a referência mundial na luta contra a desigualdade, injustiça, intolerância, devastação ambiental, e todas as formas de preconceito. Desde a primeira edição em 2001, esse espaço de debate, troca de experiências, articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e demais organizações da sociedade civil, vem atraindo ativistas, autoridades e jovens em busca de um outro mundo, baseado na construção de alternativas às políticas neoliberais.
Nesta edição, o Seminário Internacional “10 anos depois: desafios e propostas para um outro mundo possível”, contará com a participação de intelectuais nacionais e internacionais como Boaventura Santos, David Harvey, Immanuel Wallerstein, Emir Sader, Frei Beto, Samir Amim, João Pedro Stédile, entre outros. Além do Balanço dos 10 anos do FSM, serão debatidos temas como “Conjuntura mundial hoje”, “Elementos de uma nova agenda I e II” e “Sistematização das grandes questões e contribuição para o processo Fórum Social Mundial”.
O FSM não tem caráter confessional, governamental ou partidário. Nasceu da ação de homens e mulheres comprometidos com um projeto de sociedade justa e humana. Aos poucos, as vozes isoladas de cidadãos e cidadãs de todos os lugares do mundo uniram-se para gritar a recusa à ofensiva neoliberal de transformar a aventura humana em mera relação de compra e venda de objetos, valores e crenças.
A Carta de Princípios gestada em um já longínquo 2001 apresenta o FSM como um espaço de debate democrático de idéias e reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo.
O FSM marca um ponto de inflexão na história da humanidade. Cansados da predominância da economia sobre a política, do mercado sobre a sociedade, dos valores materiais sobre os valores morais, homens e mulheres tomaram a si a tarefa de construir um outro mundo. É animador constatar a presença ativa de jovens que não se deixando envolver pelo canto de sereia do individualismo e da competição, não se deixando vencer pela apatia ou conformismo, dão seu testemunho de preocupação com os destinos da humanidade.
Da ação de cidadãos e cidadãs surgiu o esforço de reapropriação das condições de existência, materiais e sociais. O debate e a ação convergiram para a criação de um novo universalismo centrado na defesa da solidariedade, justiça social e meio-ambiente. Esse novo universalismo planetário marcado pela pluralidade de raças, línguas e desejos se materializou no Fórum Social Mundial.
O FSM reafirma a sociedade como construção humana coletiva. Somos todos responsáveis. Falar em um mundo melhor é falar de homens e mulheres que cada dia, por todos os lugares agem na sua construção. Assim, reintroduzem a política na sociedade colocando-a como a atividade mais importante dos seres humanos.
Esses jovens, homens e mulheres são os novos visionários que buscam construir algo voltado para a atualização do sonho humano de conquista da liberdade. Esses encontros resgatam o significado da política como realização do bem comum, fruto da ação de cada um de nós. A pergunta, “que outro mundo é possível?” marca uma virada cultural e política no processo civilizatório em curso.
Alegra-nos que o Presidente Lula participe desde 2001 do FSM e, na condição de liderança nacional e internacional, atue na busca de instrumentos para a construção de um mundo melhor.
Fátima Bezerra – Professora e deputada federal PT-RN
As prioridades para o Brasil continuar mudando
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